24.3.11

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28.2.11

FAMÍLIA, PRATO DIFÍCIL DE PREPARAR

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria ? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini; Família à Belle Meunière; Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito.

Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.

(do livro "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo - Ed. Record)

18.1.11

FELICIDADE: LIÇÕES DE DONA CACILDA

Dona Cacilda é uma senhora de 92 anos, miúda e tão elegante que todo dia às 8 horas da manhã já está toda vestida, bem penteada e discretamente maquiada, apesar de sua pouca visão. E hoje ela se mudou para uma casa de repouso: o marido, com quem ela viveu 70 anos, morreu recentemente, e não havia outra solução.

Depois de esperar pacientemente por duas horas na sala de visitas, ela ainda deu um lindo sorriso quando a atendente veio dizer que seu quarto estava pronto. Enquanto ela manobrava o andador em direção ao elevador, deu uma descrição do seu minúsculo quartinho, inclusive das cortinas floridas que enfeitavam a janela.E ela falava com o entusiasmo de uma garotinha que acabou de ganhar um filhote de cachorrinho: “Ah, eu adoro essas cortinas…”. Mas, dona Cacilda, disse a atendente, a senhora ainda nem viu seu quarto. Espera um pouco…”.

"Isso não tem nada a ver", ela respondeu. "Felicidade é algo que você decide por princípio. Se eu vou gostar ou não do meu quarto, não depende de como a mobília vai estar arrumada. Vai depender de como eu preparo minha expectativa. E eu já decidi que vou adorar. É uma decisão que tomo todo dia quando acordo. Sabe, eu posso passar o dia inteiro na cama, contando as dificuldades que tenho em certas partes do meu corpo que não funcionam bem ou posso levantar da cama agradecendo pelas outras partes que ainda me obedecem.” A atendente então disse: “Simples assim?” Dona Cacilde rebateu:

”Nem tanto. Isso é para quem tem autocontrole e exigiu de mim um certo ‘treino’ pelos anos afora, mas é bom saber que ainda posso dirigir meus pensamentos e escolher os sentimentos.”

Calmamente ela continuou: “Cada dia é um presente e enquanto meus olhos se abrirem, vou focalizar o novo dia, mas também as lembranças alegres que eu guardei para esta época da vida. A velhice é como uma conta bancária: você só retira aquilo que guardou. Então, meu conselho para você é depositar um monte de alegrias e felicidades na sua Conta de Lembranças. E, aliás, obrigada por este seu depósito no meu Banco de Lembranças. Como você vê, eu ainda continuo depositando e acredito que, por mais complexa que seja a vida, sábio é quem a simplifica.”

Depois ela pediu para a atendente anotar:

COMO MANTER-SE JOVEM

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade,o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.

3. Aprenda sempre: aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. ‘Uma mente preguiçosa é oficina do alemão. E o nome do Alemão é Alzheimer!

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E, se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele ou ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem, aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós mesmos. Viva enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama, quer seja a família, animais, plantas, hobbies…

8. Tome cuidado com a sua saúde: se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la , procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa.

10. Diga às pessoas o quanto as ama.


(Enviado por Ângela Maria Pereira. Autor desconhecido)

12.1.11

GERAÇÃO DIGITAL: A FAMÍLIA SABE LIDAR COM ELA?

Educador e psiquiatra especialista em adolescência, Içami Tiba fala sobre a Geração Digital e o comportamento dos jovens do século XXI em relação a valores morais. Será que a escola e a família sabem lidar com essas crianças?

Ao ler ou ouvir Içami Tiba, sempre temos muito a descobrir e aprender. Acompanhe a entrevista nos vídeos abaixo:






7.9.10

A FÁBULA DA BORBOLETA


“Certo dia, um homem estava no quintal de sua casa e observou um casulo pendurado em uma árvore. Curioso, ficou admirando aquele casulo durante um longo tempo.
Ele via que a borboleta fazia um esforço enorme para tentar sair através de um pequeno buraco, sem sucesso. Depois de algum tempo, parecia que a borboleta tinha desistido de sair do casulo, as suas forças haviam se esgotado.
Vendo aquela aflição, ele resolveu ajudá-la: pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo para libertar a borboleta. Ela saiu facilmente, mas seu corpo estava murcho e as suas asas amassadas.
O homem, feliz por ajudá-la a sair, ficou esperando o momento  em que ela fosse abrir as asas e sair voando, mas nada aconteceu.  A borboleta passou o resto da sua vida com as asas encolhidas e rastejando o seu corpo murcho. Nunca foi capaz de voar…
O homem então compreendeu que o casulo apertado e o esforço da borboleta para sair de lá eram necessários para que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas para fortalecê-las. Só assim ela poderia se libertar do casulo e voar.”
A fábula ensina que, muitas vezes, o esforço é necessário para o nosso crescimento e fortalecimento.
Se vivêssemos a nossa vida sem passar por obstáculos, talvez não conseguíssemos ser tão fortes quanto podemos ser.
  • Pedi Força… e Deus me deu dificuldades para eu ficar forte.
  • Pedi Sabedoria… e Deus me deu problemas para resolver.
  • Pedi Prosperidade… e Deus me deu cérebro e músculos fortes para trabalhar.
  • Pedi Coragem… e Deus me ofereceu perigo para eu superar.
  • Pedi Amor… e Deus colocou em minha vida pessoas com problemas para eu ajudar.
Enfim, não recebi nada do que pedi. Mas recebi tudo de que eu precisava…
(autor desconhecido)

23.8.10

COM A MENTE AFLITA, O CORPO GRITA

O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as dúvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
O coração enfarta quando chega a ingratidão.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a "criança interna"  tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Preste atenção!
O plantio é livre; a colheita, obrigatória ...
Preste atenção no que você está plantando, pois será a mesma coisa que irá colher!
Alerta colocado na porta de um espaço terapêutico.
(Enviado por Wilson Passarelli)

15.7.10

EU APRENDI


Eu aprendi
que a melhor sala de aula do mundo está aos pés
de uma pessoa mais velha.

Eu aprendi
que ter uma criança adormecida nos braços
é um dos momentos mais pacíficos do mundo.

Eu aprendi
que ser gentil é mais importante do que estar certo.

Eu aprendi
que nunca se deve dizer não ao presente de uma criança.

Eu aprendi
que eu sempre posso fazer uma prece por alguém
quando não tenho a força para ajudá-lo de alguma outra forma.

Eu aprendi
que não importa quanta seriedade a vida exija de você,
cada um de nós precisa de um amigo brincalhão para se divertir junto.

Eu aprendi
que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para segurar
e um coração para nos entender.

Eu aprendi
que os passeios simples com meu pai em volta do quarteirão
nas noites de verão quando eu era criança fizeram maravilhas
para mim quando me tornei adulto.

Eu aprendi
que deveríamos ser gratos a Deus por não nos dar tudo que lhe pedimos.

Eu aprendi
que dinheiro não compra "classe".

Eu aprendi
que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espetacular.

Eu aprendi
que debaixo da "casca grossa" existe uma pessoa
que deseja ser apreciada, compreendida e amada.

Eu aprendi
que Deus não fez tudo num só dia; o que me faz pensar que eu possa?

Eu aprendi
que ignorar os fatos não os altera.

Eu aprendi
que quando você planeja se nivelar com alguém,
apenas está permitindo que essa pessoa continue a magoar você.

Eu aprendi
que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas.

Eu aprendi
que a maneira mais fácil para eu crescer como pessoa
é me cercar de gente mais inteligente do que eu.

Eu aprendi
que cada pessoa que a gente conhece deve ser saudada com um sorriso.

Eu aprendi
que ninguem é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa.

Eu aprendi
que a vida é dura, mas eu sou ainda mais.

Eu aprendi
que as oportunidades nunca são perdidas;
alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi
que quando o ancoradouro se torna amargo
a felicidade vai aportar em outro lugar.

Eu aprendi
que devemos sempre ter palavras doces e gentis,
pois amanhã talvez tenhamos que engolí-las.

Eu aprendi
que um sorriso é a maneira mais barata de melhorar sua aparência.

Eu aprendi
que não posso escolher como me sinto,
mas posso escolher o que fazer a respeito.

Eu aprendi
que todos querem viver no topo da montanha,
mas toda felicidade e crescimento ocorrem quando você está escalando-a.

Eu aprendi
que só se deve dar conselho em duas ocasiões:
quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte.

Eu aprendi
que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.



Extraído do livro: Live and Learn and Pass It On, Volume II - de H. Jackson Brown Jr.

12.2.10

CONSTRUA PONTES

Dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, entraram em conflito. Foi a primeira grande desavença em toda uma vida de trabalho lado a lado. Mas agora tudo havia mudado. O que começou com um pequeno mal entendido, finalmente explodiu numa troca de palavras ríspidas, seguidas por semanas de total silêncio. Numa manhã, o irmão mais velho ouviu baterem à sua porta.

- Estou procurando trabalho, disse o desconhecido. Talvez você tenha algum serviço para mim.

- Sim, disse o fazendeiro. Claro! Vê aquela fazenda ali, além do riacho? É do meu vizinho. Na realidade do meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta.

- Acho que entendo a situação, disse o carpinteiro. Mostre-me onde estão a pá e os pregos.

O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade. O homem ficou ali cortando, medindo, trabalhando o dia inteiro.

Quando o fazendeiro chegou, não acreditou no que viu: em vez de cerca, uma ponte foi construída ali, ligando as duas margens do riacho. Era um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou enfurecido:

 - Você foi atrevido construindo essa ponte depois de tudo que lhe contei.

Mas as surpresas não pararam aí. Ao olhar novamente para a ponte, viu seu irmão se aproximando de braços abertos. Por um instante, permaneceu imóvel à beira do rio.

O mais novo, então, disse:

- Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte, mesmo depois do que eu lhe disse.

De repente, num só impulso, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se, chorando sobre a ponte.

O carpinteiro recolheu as ferramentas e se despedia.

- Espere, fique conosco! Tenho outros trabalhos para você.

E o carpinteiro respondeu:

- Eu adoraria, mas tenho outras pontes para construir...

(texto publicado no jornal Terceiro Milênio, nº 94, fevereiro de 2010, Brasília-DF, sem citação de autor).